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Internet ajudou a derrubar PetroBrax

29 de dezembro de 2000, 0:00

Pesquisas de opinião nos portais e chuva de e–mails evidenciaram a rejeição do público à mudança de nome da maior estatal brasileira.

Por Nenhum

Vicente Tardin

Como todos sabem, a Petrobras (marca que já perdeu o acento agudo e vem abandonando sua brasilidade, digamos assim, em favor de uma internacionalização) anunciou que passaria a se chamar PetroBrax, de modo a tornar–se de mais fácil pronúncia a investidores estrangeiros.

Mas a medida repercutiu tão mal e tão imediatamente que foi suspensa no dia seguinte. Aparentemente o brasileiro rejeitou amplamente a troca do S pelo X, que parece dizer que o petróleo não é mais nosso. E, considerando que o povo detestou, a alteração também não encontrou apoio em praticamente nenhum segmento do governo e nem no próprio mercado.

O episódio serviu para mostrar mais uma vez o poder do e–mail e das enquêtes como forma de avaliar rapidamente a opinião pública. Sites de grande tráfego, que normalmente fazem pesquisas de opinião sobre os mais variados assuntos, logo estampavam resultados. No versão online do jornal O Globo, por exemplo, quase 84% votaram contra.

Também nos portais ficou evidente a desaprovação. Veja a enquete da Zip.Net:

A Petrobras mudou de nome para PetroBrax. O que você achou desta mudança?

11% votaram em Ótimo. A Petrobras, quer dizer, PetroBrax, vai poder lutar pelo mercado lá fora.

84% votaram em Ruim. Não passa de conversa fiada e de desperdício do dinheiro público.

5% votaram em Não sei.

Além de pesquisas de opinião, circularam muitos e–mails em listas de discussão com opiniões contrárias e o spam foi geral.

Um e–mail atribuído ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (quer dizer que naquelas cabanas há laptops com acesso sem fio?) pediu que todos enviassem mensagens diretamente à Presidência da República contra a mudança do nome da maior estatal brasileira.

A troca da consoante final simbolizaria mais um episódio de venda de ativos nacionais ao capital estrangeiro. "O mais prático é enviar o protesto diretamente para a sede do Fundo Monetário Internacional, em Washington", dizia o texto, divulgado pelo JB Online (mas não seriam justamente estes os beneficiados?).

O fato é que o presidente da Petrobras, que se chama Henri Phlippe Reichstul, logo divulgava nota à imprensa desistindo da utilização da nova marca. De acordo com a nota, a desistência do nome PetroBrax foi solicitada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, sensível à reação da opinião pública.

Parece que para criar a logomarca, desenvolvida pela agência de publicidade UND, a Petrobras desembolsou R$ 700 mil. Mas, de acordo com o assessor de imprensa, o gasto não foi feito em vão. "O acervo do conhecimento não se perde. As informações poderão ser usadas eventualmente", justificou. Ainda bem.

Essas coisas acontecem. Mas a Petrobras, assim como procura petróleo, há de encontrar novas formas de mudar sua imagem (quer dizer que a imagem da estatal é ruim?).

"Voltaremos a fazer novos levantamentos de posicionamento de mercado. Assim que for encerrado, divulgaremos os resultados", concluiu o assessor de Reichstul.

Sendo uma empresa pública, fica a sugestão: quando a Petrobras desejar testar a reação do público, talvez fique mais barato pedir antes para a Zip.Net fazer outra pesquisa rápida. [web insider]

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