Quem vai lucrar com as TVs inteligentes?
20 de dezembro de 2000, 0:00Empresas de tecnologia estão investindo na TV interativa, mas o lucro maior pode ir para empresas de mídia e produtores de conteúdo.
Por
[Reuters]
O aparelho de TV está se tornando o eletrodoméstico mais inteligente e as empresas de tecnologia estão ansiosas para faturar com isso. Mas será que elas transformarão essa promessa em lucros?
Os chips e software correm o risco de se tornar pouco valiosos, enquanto os ganhos reais irão para operadores de rede e produtores de filmes, programas televisivos e transmissões esportivas.
A empresa alemã Grunding, que produz um aparelho de TV top box ( a caixinha parecida com aquela utilizada para a recepção de TV a cabo, que permite, entre outras coisas, navegar na internet) afirma que está na base da "cadeia alimentar. Um de seus diretores disse em um evento em Londres recentemente que estão "sendo esmagados o tempo todo.
As TVs inteligentes só são possíveis devido às empresas de tecnologia, que desenvolveram chips poderosos, redes de fibras ópticas e enorme capacidade de armazenamento de dados. Experiências com TVs inteligentes começaram em 1990 nos EUA, mas fracassaram em razão dos altos custos e limitações tecnológicas. Mas, ao longo da década, os preços foram caindo. Hoje, operadoras podem distribuir as caixinhas de graça, e ganhar cobrando pelo conteúdo.
A TV inteligente permite navegar na internet, receber e enviar e–mails e fazer compras online. Além disso, o usuário pode gravar shows, pular as propagandas, encomendar filmes e jogar videogames.
As operadoras da Europa e dos EUA se preparam para oferecer, já em 2001, serviços do tipo, por meio de cabos telefônicos que usam a tecnologia DSL (Digital Subscriber Line). A rede de aluguel de vídeos Blockbuster, por exemplo, acaba de informar que lançou o teste de um serviço de entrega de filmes sob encomenda para consumidores via internet com linhas telefônicas digitais (DSL) em Seattle, Portland e Salt Lake City. A investida no mercado de filmes sob demanda poderá colocar a Blockbuster no páreo contra a Time Warner Cable, que já oferece um serviço similar em Austin, Tampa Bay e Hawai.
As empresas de tecnologia argumentam, porém, que ainda conquistarão a sua fatia do bolo desenvolvendo novos instrumentos para os aparelhos e aperfeiçoando redes complexas que ainda não foram padronizadas.
Além da batalha comercial travada pelas operadoras de rede e desenvolvedores de chips, a disputa para dominar o mercado de software para TVs inteligentes promete ser grande. Ninguém ainda sabe qual middleware – programa que faz a TV funcionar – dominará o mercado. Atualmente, cinco ou seis grupos estão na disputa nos EUA, entre eles a Microsoft. A OpenTV é a líder do mercado, com 11 milhões de usuários. A Microsoft já tem acordos com operadoras de cabos para cerca de 15 milhões de top boxes. [web insider]
