Acesso gratuito sofre
15 de dezembro de 2000, 0:00Provedores estão fechando as portas, mas alguns conseguem resistir.
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Não é somente no Brasil que as coisas estão difíceis para os provedores de acesso gratuito à internet. Por aqui houve a espetacular quebra do fornecedor Super11, o fechamento do serviço gratuito NetGratuita do UOL, a demissão de todo o quadro de conteúdo do Tutopia e agora a interrupção do serviço gratuito do Cidade Internet.
Situação semelhante acontece em outros países. O provedor Altavista anunciou que fechará o seu, deixando 3 milhões de usuários. Este serviço era oferecido por uma companhia parceira de São Francisco, a 1st Up, que encerrou operações. Esta parceira era financiada pela incubadora CGMI, dona também do Altavista.
Já a provedora Spinway também fechou as portas sem fazer barulho semana passada, tirando do ar 5 milhões de usuários. Tudo isto acabou também afetando os concorrentes Juno Online e Netzero, cujas ações caíram 4.8% e 2.9%, respectivamente. No caso da Netzero, suas ações estavam esta semana a somente US$ 1.06, quando já valeram US$ 40 no começo do ano.
No caso do Altavista, pelo menos esta teve a dignidade de permitir que seus clientes tivessem mais três meses de acesso gratuito através do serviço MSN da Microsoft.
Já a BlueLight.com, o braço interativo da Kmart e tradicional parceiro da Spinway, chegou a ter que comprar ativos desta para manter o serviço no ar até o final do Natal. Com isto, a empresa espera ser recompensada com algumas vendas de fim de ano…
Podemos buscar as razões disto no fato de que está difícil obter mais investimentos necessários para a manutenção de negócios relacionados à internet. Os investidores simplesmente pegaram horror ao termo, especialmente quando há algo "gratuito" no meio.
Por outro lado, recentes pesquisas indicam que o modelo de negócio das provedoras não é viável, pois depende demais de propaganda online, que se mostra pouco interessante para os anunciantes. Taxas de clicagem de menos de 1% simplesmente não seduzem o anunciante a pagar o que anda se cobrando por aí. Mas esta é outra história.
Finalmente, é provado que o modelo gratuito não garante fidelização dos clientes, que usam à vontade o provedor que oferecer a melhor conexão, atrapalhando também o labor do anunciante, que fica sem saber se o cliente já comprou ou clicou no anúncio, a que horas costuma estar online etc.
É difícil prever o final desta história. Há quem acredite no modelo, como é o caso do CEO da Netzero, Mark Goldston, que afirmou "É um mercado frágil o da propaganda online, mas não é fechado." E conclui: "Serei o último homem ainda de pé". [web insider]
