11 de dezembro de 2000, 00:00
Demanda e explosão inflacionada de mercado cria geração de jovens profissionais um tanto problemáticos.
Meu caro colega executivo, o que eu vou lhe falar não é novidade alguma. Hoje aqueles que recrutam e formam equipes para trabalhar dentro do mercado de internet enfrentam freqüentemente um personagem muito conhecido: o estragadinho da web.
Varia o grau de intensidade e as formas de manifestação, mas no final os sintomas são quase sempre os mesmos. Costuma atacar sempre os mais jovens, especialmente aqueles entre 20 e 25 anos. Exacerba a auto–estima, infla o ego, inflaciona a noção salarial e, o mais alarmante em muitos casos, atrofia o talento, a qualidade do trabalho e o desenvolvimento profissional.
É uma cena devastadora.
Depois de peneirar muito dentre as dezenas de currículos pavorosos que te enviaram, você agenda uma tarde de entrevistas para a vaga júnior que abriu no seu departamento e começa a romaria dos horrores.
O ideal é agendar as entrevistas de 30 em 30 minutos para acabar logo com o sofrimento. Porque, a rigor, depois de tanto entrevistar gente, você já tem condições de saber se o candidato presta ou não com seis segundos de papo. O resto é só encheção de lingüiça para a pessoa não achar que foi lá à toa, ou que você é maluco de contratá–la tão rápido.
Independente de você estar contratando web(eca)designer, web(eca)writer, web(eca)producer, web(eca)programador, ou web(eca)seja–lá–o–que–for, situações como esta muitas vezes se repetem.
Você começa a entrevista revendo o currículo da pessoa já procurando uma rápida e sintética conclusão para a conversa. A proposta salarial já está na ponta da língua, o candidato já sabe qual é a função, você só precisa confirmar algumas coisas:
– "Você está se candidatando para a vaga de web(eca)designer que a gente abriu. Vi que você passou por quatro empresas nos últimos seis meses. Imagino que você não deve ter tido experiências boas nestes lugares" – pergunto abrindo a conversa.
– "Eram lugares legais, mas não me davam o devido valor. Achei que precisava encontrar um lugar onde meu talento fosse realmente reconhecido e eu tivesse oportunidade de crescer" – rebate o candidato.
– "Você é designer mas nunca chegou a estudar design. Vi que você está estudando Letras à noite. Qual é ligação?" – e imagino uma linda resposta sobre teorias de linguagem linear x interativa.
– "Ah, eu não preciso estudar design. Já tenho emprego e ganho bem. Estudo Letras por que é de noite e perto da minha casa" – vem o balde de água fria.
Em pouco mais de seis segundos já sabia que o candidato não ia servir. Mas, não sei por que, resolvi passar para o capítulo ‘grana’.
– "Sei. Olha, então vamos falar de grana. Baseado na tua experiência e portfólio, o que eu posso te oferecer para começar são 800 reais, mais os benefícios que a empresa oferece. Acho que é um começo legal" – e realmente achava. Afinal, todo mundo tem direito à possibilidade de crescimento.
– "Ih, 800 é? Sei. Bom, na verdade é o seguinte: essa é a terceira entrevista que eu faço essa semana e nas outras me ofereceram mais de 3 mil. E na realidade, eu já fechei com uma outra empresa" – dispara o candidato para a minha total e estapafúrdia surpresa.
– "Aha. Entendi. Então você já aceitou outra oferta? E por que estamos aqui conversando?" – indago, indignado.
– "Não, é que eu queria ver se você fazia uma oferta melhor e queria vir aqui conhecer o lugar" – fecha o web estragadinho, com chave de ouro.
Este foi apenas mais um episódio de uma novela um tanto triste. Estamos agora convivendo com, e vendo sofrer, uma geração de jovens profissionais em início de carreira com valores muito distorcidos. Muita gente talentosa, com capacidade de crescimento e um futuro brilhante à frente, mas que se encontra completamente perdida.
São vítimas de um mercado muito novo, praticamente sem história e tradição,que já esteve inundado de dinheiro, onde os bons (e os maus) profissionais vinham sendo disputados literalmente a peso de ouro.
Um mercado onde quem tem 22 anos e "mexe" com internet há quatro quer e pode se considerar veterano. Um lugar que não tem executivos do ‘ramo’ e todas as pessoas mais experientes são migradas de outras áreas.
Então, como convencer esse garoto que saca tudo de Fireworks, é disputadíssimo pelo mercado e ganha, muitas vezes, mais do que o pai e a mãe dele juntos, que ele ainda é inexperiente, que ele está em começo de carreira? Como é que um ‘astro’ da web vai respeitar um chefe que nem sabe fazer GIF animado?
O que fazer para alertar estes "web estragadinhos" que o mercado já está mudando e que a oferta de vagas já está diminuindo, junto com os salários? Um artigo como esse, será que ajuda? [web insider]
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Palavras-chave relacionadas a este texto: [Formação profissional] [Mobile]
7 comentário(s)
Data : 07/12/2010 às 11:50
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Simplesmente ridículo este artigo.
Quem tem talento e uma experiência de 4 anos receber 800 é ridículo
Data : 16/09/2010 às 03:38
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e foram com textos como estes que os publicitários conseguiram espaço no mercado. Criticando os outros.
Data : 21/09/2009 às 16:39
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Caramba e esse texto ainda é de 2000? Só pode ser pegadinha...
Data : 17/05/2009 às 21:31
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Este texto tem quase nove anos e a coisa ainda está uma porcaria, só que hoje, os estragadinhos da web estão no poder, é, eles, os donos de agências que recebem rios de dinheiros por bannerzinhos que lhe custam R$ 120,00 cada. Muita gente trabalhando na área fez o custo do profissional ficar muito baixo, o dono de agências se aproveitam disso, passa o tempo o dono esquece, esquecendo coloca um profissionall sem qualificação para fazer o trabalho do melhor cliente de sua agência, o trabalho sai péssimo e vai para o cliente, o cliente reclama muito e diz que o trabalho da agência ee uma porcaria, o dono da agência bravo vai lá e bota a culpa no diretor de criação que por sua fez despede o profissional, mas para não ficar sem um profissional contrata outro na correria pagando menos ainda e diz ao dono da agência que agora vai, o dono da agência coloca este profissional para fazes o trabalho do segundo melhor cliente da agência, o trabalho sai péssimo e vai para o segundo melhor cliente, o segundo melhor cliente reclama muito e diz que o trabalho da agência ee uma porcaria, o dono da agência bravo vai lá e bota a culpa no diretor de criação e o despede, para não ficar sem profissional, sobe de cargo o seu último profissional contratado pelo diretor de criação despedido, este contrata outro profissional, mas com medo de ser um melhor que ele, se esforça para contratar o pior de todos, contrata e coloca o terceiro melhor cliente da agência, que no momento de tornara o primeiro melhor cliente da agência. Bom, vou parar aqui e dizer que o diretor de criação abriu uma agência e tem como clientes os dois primeiros clientes da agência que trabalhara e está fazendo um trabalho ótimo pagando péssimos salários considerados ótimos para os recém formados por estarem trabalhando com um profissional reconhecido no mercado publicitário.
Data : 13/03/2008 às 09:51
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Bom, compreendo que na sua função de diretor, vc queira pagar pouco para um cara jovem.
Mas se fiz o ?link? corretamente, e ?estragadinho? tem 4 anos de experiência, vc mesmo disse que ele pode se considerar um veterano, e valhe muito mais que 800 reais.
Seu artigo vai na contra-mão da realidade do mercado, onde faltam (e não transbordam) profissionais qualificados. Onde alguns meses de cursinho na impacta ?formam? web designers que barateiam o preço do seu produto cobrando R$ 300,00 por um site, que inunda a internet de lixo? Como vc vai convencer seu cliente que sua campanha vale X, se o sobrinho dele q fez cursinho cobra X/1000?
Vai por mim, valorize o profissional que vc valoriza seu produto na 10 minutos.
No final, o que define o valor de um profissional é sua qualificação. Um cara que não consegue compreender a ligação entre o curso que faz e o seu trabalho, pra mim, não merece muito, mas pra um profissional qualificado, 800 reais é um nada de salário e 3000 está mais do que justo.
Data : 08/11/2007 às 10:17
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então o artigo tem um cunho meio radical é verdade que existem profissionais com excesso de supervalorização mas também não é legal fazer esse tipo de afirmação sobre o mercado já que se o profissional tem talento merece ser bem remunerado para isso..mas também é o seguinte..o profissional mesmo no inicio de carreira tem que se valorizar..
Thompson
Data : 03/02/2011 às 17:57
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Comentário sobre os "web estragadinhos"
Acredito que o autor do texto talvez tenha certa razão em criticar a postura do tal candidato por sua soberba, por sua arrogância. No entanto, não vejo por que desvalorizar a pretensão salarial de alguém que tem o conhecimento que se pede para a vaga, talvez, ele, por não ter formação específica na área, esteja supervalorizando-se, no entanto, como criticá-lo por isso se seus empregadores, pessoas que se propuseram a assumir riscos, a pôr seu nome no mercado, estão no mesmo patamar de ignorância que ele, pois vem migrando de outras áreas e também não tem graduação nem curso técnico na área, quiçá são arquitetos, artistas plásticos ou do ramo do marketing,
ou de engenharia de software, tecnologia da informação, etc, e portanto não poderiam, tecnicamente, argumentar com outro semi-leigo?
É a mesma situação por que passa um cidadão que se vê com seu carro enguiçado, no meio da noite, na estrada, sem nenhum posto por perto, e para um carro de socorro mecânico e descobre que tinha sido só uma folga no cabo da bateria, aperta e te cobra R$ 100,00 pelo socorro.
Foi caro? Claro que não, se dependesse de você e dos seus próprios conhecimentos, você ficaria ali parado até que outro mecânico viesse e fizesse o mesmo e te cobrasse a mesma quantia.
Conhecimento custa caro mesmo.
O conhecimento deste jovem é o produto que ele pode vender e, ratificando, conhecimento custa caro.
Já avaliou quanto custa um curso de nível superior? Mais ou menos R$ 300,00 por mês (um curso barato) vezes 12 meses por 4 anos, R$ 14.400,00 fora os livros, cadernos, a monografia, demais materiais, transporte, alimentação etc. fecharemos esta conta por baixo em 20 mil reais, fora a dedicação, o tempo,
as noites de sono mal dormidas etc. E chega um semi-leigo e te ofereçe R$ 800,00 por este esforço achando que está pagando um salário de estrela de Hollywood. Conhecimento é dinheiro.
Tudo bem, ele ao que parece não tinha curso superior, talvez o trabalho dele fosse condizente com o valor oferecido, mas, num ramo onde não há reserva de mercado para os profissionais com a qualificação específica (como os advogados que tem a OAB ou os médicos o seus CRMs ou engenheiros ou químicos e seus respectivos certificados, ou mesmo os pobres jornalistas que agora perderam esta força que lhes resguardava a dignidade mínima da categoria) como é que se pode dimensionar esse valor se o empregador não exigiu dele sequer o diploma de formação em web-design, antes, selecionou-o em meio a tantos outros, como disse o autor, em meio a muitos outros por ter se agradado do seu portfólio, isto é, do resultado final do trabalho daquele jovem.
E depois percebe, que além de tudo, o rapaz é ousado o suficiente para valorizar sua mão-de-obra (semi) especializada, e fica indignado por isso. Acho que houve uma distorção de valores nesta opinião expressa pelo autor.
Mas, por mais que ele ( o autor ) reclame, e diga que há outros tantos no mercado, fazendo o mesmo curso, se formando, de quantos ele selecionou avaliando portfólio e sua graduação? Ele observou apenas o talento.
E se o rapaz foi talentoso para estar na mesa de entrevista com ele, então ele dever ter um bom trabalho e por que desvalorizar isso?
Talvez seja a sua empresa, caro autor, que não tenha uma carteira de clientes que lhe permita pagar pelo conhecimento dos seus funcionários. Hoje, nesse mercado capitalista ao extremo, se exige do profissional um esforço altíssimo para que ele desenvolva mais em menos tempo com mais qualidade de modo a dispensar a contratação de outros para ajudá-lo, forçando-o a trabalhar sob pressão e com acúmulo de serviço.
Mas não há o esforço das empresas em educar seus clientes, de conscientizá-los de que CONHECIMENTO CUSTA CARO!
Em São Paulo ninguém começa uma atividade profissional na área de tecnologia ganhando menos de R$ 1500,00 e isso lá é uma miséria. As empresas não se vendem barato, como aqui no nordeste. Não permitem que o clientes digam quanto vale o trabalho da empresa de soluções em web.
Os "Web ecas", são o MOTOR de uma empresa de internet, sem eles não há empres(ECA). Outra visão distorcida é a de que se alguém passou de uma empresa para outra em pouco tempo é um sintoma de mal relacionamento.
Pode na verdade ser um sintoma de não comodismo, de não estagnação, de buscar melhorias e novos conhecimentos, não criar raízes, ousar e não temer o novo, muito tempo numa só empresa representa, aliás, uma visão ultrapassada segundo a nova doutrina entre os administradores modernos.
Portanto meu caro, se você acha que R$ 3000,00 reais por um empregado talentoso e capaz de gerar até mais de R$ 15 mil por site, que vai te prover de um portfólio que vai te dar visibilidade e agregar valor a tua empresa, sem falar na publicidade que a aceitação dos seus trabalhos que vai te gerar mais e mais clientes sem falar nas manutenções periódicas etc. Se você ainda acha que é muito, então você precisa MESMO ampliar seus horizontes e rever seus conceitos.