Paulo Rebêlo

Depois de amanhã

Linux sobe, empresas descem

06 de dezembro de 2000, 00:00

Enquanto o sistema operacional alternativo ao Windows ganha público e credibilidade, os fornecedores estrangeiros especializados enfrentam o fantasma do prejuízo. O modelo de negócios deve mudar.

Por Paulo Rebêlo

O mais famoso sistema operacional gratuito, o Linux, cresce de forma impressionante. De um reduto tipicamente nerd para uma solução eficiente à empresas preocupadas com segurança e performance, hoje o Linux se torna também uma alternativa plausível a usuários domésticos que não dominam a linguagem técnica dos computadores.

Vários fatores contribuem para o crescimento do Linux, inclusive as falhas e constantes problemas no tradicional e principal concorrente, o Windows. Em crescimento acelerado, é de se esperar que as empresas especializadas em Linux estejam rindo à toa, certo? Errado.

Dentre as ações das empresas de tecnologia, as de Linux sempre aparentaram estabilidade em relação ao sobe e desce da bolsa. Mas recentemente as ações das principais distribuidoras enfrentam uma situação preocupante. A Red Hat, uma das pioneiras e mais tradicionais, já chegou a ter cotadas em US$ 151 ações que hoje navegam na faixa dos US$ 11. Acionistas da VA Linux System chegaram a vender ações individuais por US$ 320, mas na última semana de novembro negociaram a US$ 12, em média.

Uma das análises de mercado é que, durante muito tempo, os investidores procuraram “a” empresa de Linux; na ocasião, a Red Hat. Com a entrada da VA Linux System, por exemplo, eles começaram a migrar. O símbolo da VA na Nasdaq, só para se ter uma idéia, é “NUX”. As pessoas olhavam e pensavam: eis a empresa tipicamente Linux. Investiam nela. Depois, aparecia outra e o processo se repetia.

Não cabe aqui analisar os motivos causadores das quedas; mais importante agora é a visão de usuários e do próprio mercado em relação às mudanças. Começa a imperar o ceticismo sobre até quando as distribuidoras Linux – hoje são dezenas delas – conseguirão sobreviver com o atual modelo de negócio.

Do CD para o download

Boa parcela da receita gerada pelas distribuidoras é a venda do sistema operacional já empacotado em CD, com vários outros discos de programas e utilitários, além de livros técnicos, referências e suporte. Simultaneamente, o mesmo Linux pode ser baixado (download) pela própria internet, no site da distribuidora.

É mais prático adquirir o sistema em CD do que baixá-lo gratuitamente pela internet – entre 600 e 700 Mb, no mínimo – a partir de uma conexão baseada em modem e linha telefônica. Quem se habilita enfrenta também a falta de utilitários (que estão presentes no CD) e a falta de suporte.

Porém com o tempo haverá mais facilidades para o usuário no fator velocidade e a tendência aponta para um aumento no número de downloads, inverso ao número de compras. O acesso em banda larga proporciona praticidade ao download. Ou seja, em poucas horas, um usuário qualquer pode ter a imagem de todo o Linux em seu computador. Os programas e utilitários levarão ainda menos tempo para chegar e haverá a vantagem de só baixar os que realmente interessam.

Suporte? Como o Linux vem se tornando um sistema operacional de fácil instalação e manuseio, com ambientes totalmente gráficos, semelhanças enormes com o Windows e recursos de plug-and-play, o usuário doméstico sente-se cada vez mais à vontade longe do suporte técnico.

No Brasil, temos o exemplo de sucesso no Linux da empresa Conectiva, que recentemente chegou à versão 6.0. “Tão fácil de instalar que parece um Windows”, diria um usuário mais tradicional. O Conectiva Linux provê, aos usuários licenciados, suporte técnico gratuito por um determinado período de tempo, atualizações e, o principal, um sistema operacional em português, a começar pelos manuais e interfaces.

A situação da Conectiva é diferente no mundo Linux, pois a empresa possui um excelente nicho de mercado – o consumidor brasileiro, leigo ou experiente. Mas as distribuidoras tradicionais americanas enfrentam o dilema: continuar com o atual modelo de negócio, mesmo diante de prejuízos na Bolsa; ou mudar?

A hipótese de um eventual fim dos downloads gratuitos pode ameaçar a popularidade – e a própria vendagem – do Linux como um todo.

Negócios à parte, o conselho do mercado ao usuário doméstico é: aprenda a usar e aproveite. A presença do Linux no ambiente doméstico tende a crescer muito e no ambiente corporativo a demanda por profissionais especializados já é grande. No Brasil, principalmente. [Webinsider]

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Sobre o Autor:

Paulo Rebêlo (rebelo@webinsider.com.br) é editor adjunto do Webinsider e editor executivo da AF2 Comunicação. Seu site pessoal é o rebelox.com.

Palavras-chave relacionadas a este texto: [comunidades] [Formação profissional] [linux] [microsoft] [Mobile]

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Comentários

1 comentário(s)


[ 1º ]
Moises Giglio

Data : 03/09/2008 às 14:12
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Atividade:

Linux é um assunto já resolvido, é o melhor!


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