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E-mail enfrenta mil perigos pelo caminho

20 de novembro de 2000, 0:00

O correio eletrônico, antes usado só para a troca de mensagens, hoje viaja à mercê dos mais variados inimigos e aproveitadores ocultos.

Por Nenhum

Alberto Alerigi Jr., da Reuters

Quando foi criado no início da década de 70, o e–mail era uma ferramenta simples, destinada à troca de mensagens entre os criadores da ancestral da internet, a Arpanet, uma rede de comunicação entre militares dos Estados Unidos e centros de pesquisa. Com o passar do tempo e a popularidade, a inocente simplicidade das mensagens eletrônicas passou a ser usada para o mal.

Afinal, é pelo e–mail que hoje em dia acontecem coisas terríveis para o usuário, como a disseminação de vírus perigosos, a espionagem e a invasão de privacidade.

"Hoje grande parte do transporte de vírus é feito por e–mail, disse à Reuters o engenheiro de sistemas para a América Latina da Symantec, Ricardo Costa. Para ele, a aparente simplicidade do e–mail torna as pessoas desprevenidas ao não desconfiarem de mensagens enviadas por desconhecidos, o que as torna alvo fácil para ataques vindos da rede.

Por definição, o e–mail é um arquivo de texto que circula em uma rede com um endereço de um destinatário. Ele traz uma série de marcações que informam softwares, como Outlook ou Eudora, como trabalhar para exibir a informação enviada. Assim, traz uma marcação "TO para indicar o destinatário, uma "FROM, para o remetente e, como é muito comum, uma que mostra que o arquivo de texto tem outro anexado que pode ser uma foto, uma animação, um programinha ou um vírus disfarçado de tudo isso. Esses anexos viajam na forma de um código de texto que é interpretado automaticamente pelos programas de e–mail e voltam a ser arquivos quando são executados.

A mensagem só chega ao destinatário devido aos dados existentes depois do sinal de +. Este indicador, também criado no começo da década de 70, mostra em que computador, ou grupo de computadores está hospedada a sua conta de e–mail com sua caixa postal. O e–mail, porém, não encontra seu caminho sozinho.

Quem despacha a mensagem são os computadores de seu provedor de acesso, que buscam em servidores de nomes de domínios (grandes computadores que são mais como uma gigantesca agenda de endereços da internet, também chamados de DNS) o caminho mais rápido para que a mensagem chegue até aquele seu amigo que mora na Austrália.

Farejando o inimigo

Esses caminhos podem percorrer computadores do mundo todo, mesmo que você tenha mandado a mensagem para seu vizinho, e é ai que mora o perigo. O gerente de desenvolvimento de programas de segurança da Computer Associates, André Zambini, disse à Reuters que há pessoas que ficam "escutando pontos da rede e capturando e–mails que contenham palavras–chaves específicas como "senha, "crédito, ou que venham de endereços interessantes como +pentagono.gov ou +gabinetedofhc.gov.br.

"Essa prática é conhecida como "snifer (farejador) e os hackers ou espiões usam máquinas ou softwares para interceptar e até alterar e–mails antes que cheguem ao destinatário.

Para o analista de pesquisas do Gartner Group Waldir Arévolo, a interceptação de e–mail pode ser feita pela própria empresa na qual trabalha o remetente, como parte de uma política de inspeção do trabalho do funcionário. "Muitos acham que os riscos são menores, mas dentro das empresas eles são maiores, diz ele.

Segundo o analista, dentro das empresas, 5 a 15% das mensagens são "equipadas com alguma forma de proteção, seja através de criptografia ou de certificados digitais (que asseguram se a mensagem foi ou não adulterada). A porcentagem é reduzida porque nem todo e–mail precisa andar por aí dentro de um carro blindado.

Mas os especialistas concordam que todo usuário doméstico deveria ter um programa antivírus atualizado instalado quando abrir e–mails de estranhos e de seus próprios amigos. "As pessoas nunca acham que um vírus vai se instalar na máquina delas, disse Costa.

Para eles, quando o assunto é sigiloso ou importante demais, o ideal seria proteger a mensagem através de softwares de criptografia como o PGP, que é relativamente simples de usar, eficiente e gratuito. [web insider]

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