Jakob Nielsen: projetar o óbvio ainda faz sentido
14 de novembro de 2000, 0:00Ele coleciona críticos na mesma velocidade em que conquista clientes importantes. Afinal, qual é a do Jakob Nielsen?
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Um dos mais respeitados conferencistas, um dos mais lidos autores e um dos mais bem sucedidos consultores da indústria da internet. Se a comunicação interativa começa a revelar estrelas, Jakob Nielsen é, com certeza, uma das maiores.
E o que faz esse senhor? Basicamente, fala de coisas óbvias. Por exemplo, que se o seu site não for funcional, vai perder usuários. Também discorre precisamente sobre coisas como a dificuldade de leitura de textos com tamanhos reduzidos, a organização de conteúdo em categorias ou o tempo de carga de uma página.
Enfim, coisas ridiculamente fundamentais para que um site de Internet seja bem sucedido. E podem acreditar que as dicas de Nielsen funcionam bem na prática, pelo menos é o que todo mundo repete pelos campos de teste de usabilidade.
Por falar assim diretamente de coisas tão pequenas, Sr. Nielsen coleciona críticos na mesma velocidade em que conquista novos clientes. Ele e sua equipe (acabou de contratar como sócia Brenda Laurel, famosa no início dos 1990 pelo trabalho de user interface design na Apple) são tremendamente requisitados e muito bem pagos por suas consultorias.
E os designers o detestam, principalmente pela sua pose segura. É que ele soa tão mal quanto qualquer um de nós soaria se falássemos de coisas óbvias para uma platéia seleta. Seu tom é quase messiânico. Quando lemos os textos do Sr. Nielsen, temos a impressão que antes dele a Internet era uma imensa baderna e ele chegou para colocar ordem no ciberespaço. É como se a internet fosse a Torre de Babel e ele fosse o síndico.
Mas ele não é apenas o chato que os artistas proclamam. Nielsen tem em seu favor o mérito de ter conferido ao usuário o papel principal no desenho de um web site. Mais uma vez, isto parece óbvio mas não é. A maioria dos sites tem problemas de usabilidade e este é um ponto fundamental no design: se o seu site não conversar bem com seu usuário, adeus! Lá se foi seu cliente pesquisar em outras bandas.
Pessoalmente, gosto dessa idéia porque no mundo dos projetos nem sempre foi assim. E isso é fundamental na internet, pelo seu caráter orgânico, pela condição interativa. Mas também juro com os pés juntos que abrir uma conversa com o usuário pede um pouco mais do que objetivos óbvios. Ou vai pedir em breve, não importa. Não acredito que sustentar uma relação somente com o básico, com o padrão, vá durar muito tempo na internet. Os limites da linguagem vão continuar expandindo–se e renovando–se o tempo todo, principalmente a partir do momento em que esses pequenos detalhes básicos estiverem satisfeitos. Então, as regras básicas não farão mais sentido, certo? Mas de qualquer maneira, serão sempre princípios.
Sabem por que eu leio os textos do Jakob Nielsen? Primeiro porque eu gosto de aprender essas coisas óbvias e depois falar mal dele; segundo porque meus clientes, ou também adoram malhar o sujeito, ou pior, proferem cuidadosamente suas geniais regras como se fossem as coisas mais óbvias do mundo. E eu adoro projetar junto com os clientes e ainda mais com os usuários. Maldito Nielsen!
Sinceramente, acho que você também deveria ler se trabalha com design para internet. Faça vista grossa quando ele fala que não gosta de designers e que os engenheiros é que são bacanas e vá em frente. Assim você coleciona argumentos para coisas óbvias quando precisar e vai saber precisamente onde massacrar o arroz com feijão e trazer a novidade à mesa. Depois você detona tudo, coloca as regras de cabeça para baixo e reinventa o básico. Mas se você achar chato e desistir logo da leitura, tudo bem, eu entendo. [web insider]
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