Dilema P2P envolve lucro, segurança e recursos
27 de outubro de 2000, 0:00Aplicações peer–to–peer seduzem o público e as empresas de tecnologia. Resta encontrar maneiras de chegar ao outro significado da sigla: o caminho para o lucro.
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Uma das facetas mais interessantes do caso Napster é o modelo de computação distribuída adotado, o P2P.
A computação peer–to–peer significa o compartilhamento de informações ou tarefas de uma maneira descentralizada, sem intermediários, regras ou um controle central. O seu computador passa a ser um cliente e servidor simultaneamente.
Diferentemente dos negócios entre empresas (B2B), ou entre consumidores finais e empresas (B2C), onde as regras são precisas e bem definidas, no P2P justamente a sua falta é a regra número 1. A idéia já existe há algum tempo; a internet, porém, gerou uma escala global.
Provavelmente as aplicações P2P não funcionarão junto com o browser, como nos casos do Napster, Gnutella, Aimster e muitos outros. Os desenvolvedores não podem criar programas muito pesados porque estes precisam ser transmitidos da rede para amáquina do usuário.
Aplicações P2P também oferecerão ferramentas para os usuários criarem seu próprio conteúdo, como sua lista de músicas, livros ou filmes favoritos. Algo que diga quem você é. Esse será o principal fator para a criação de comunidades.
Chegamos então ao que podemos chamar de dilema P2P. Seriam P2P as empresas especialistas no desenvolvimento de soluções P2P? Calma, ainda não estou completamente louco! Na sopa de siglas do mundo tecnológico, P2P pode também significar path to profitability, ou simplesmente se a empresa pode ser lucrativa. A pergunta então é: Como essas empresas ganharão dinheiro?
Muitos analistas apontam que o P2P como conhecemos hoje é apenas a ponta do iceberg; o pulo do gato seria o P2P se tornar B2B. Um dos pioneiros dessa área é o Quiq, software que permite que fornecedores e companhias se comuniquem em comunidades virtuais, participem de leilões, licitações e compartilhem informações de interesse comum.
Mas nem todo mundo está totalmente convencido do modelo peer–to–peer. A falta de segurança no compartilhamento de informações é um desafio. Nenhuma idéia se sustentará por muito tempo sem a presença de rígidos protocolos de controle. Em função disso, a Intel e outras 18 grandes empresas de tecnologia criaram um grupo para o desenvolvimento do aspecto de segurança, com o objetivo de viabilizar o P2P. O novo Pentium 4, por exemplo, já conterá uma nova arquitetura chamada "NetBurst" especialmente desenhada para sustentar as tarefas demandadas pela tecnologia P2P.
No campo das inovações, a maior promessa da plataforma P2P está na capacidade de compartilhamento dos recursos de processamento. Pesquisas indicam que 90% dos computadores ficam ociosos durante determinados períodos do dia. A idéia seria desenvolver softwares capazes de aproveitar essa ociosidade alugando capacidade de processamento. As máquinas passariam então a ficar o tempo todo ligadas e conectadas, enquanto outras pessoas utilizam seus recursos. Algo do tipo: "Hoje eu vou querer mais 500 Mhz de processamento, 2 GB de hard disk e mais uns 128 MB de memória RAM". [web insider]
