24 de outubro de 2000, 00:00
Acusado de ser conivente com o spam, o provedor gratuito toma providências para sair da lista negra internacional – uma delas foi pedir o fechamento do site do movimento AntiSpam.
A internet brasileira presencia um fato inédito e estranho ao mesmo tempo. O provedor gratuito iG e o movimento Antispam deflagram uma confusão que envolve uma das maiores pragas da rede – a propaganda não–solicitada que chega à sua caixa postal.
No dia 19 de outubro, a MAPS – Mail Abuse Prevention System – validou o pedido de incluir o iG à lista negra de bloqueio, chamada de RBL (Realtime Blackhole List), sob alegação de que o provedor era conivente com o spam enviado através de seus servidores e não havia tomado nenhuma providência, mesmo depois de seguidos avisos.
O MAPS é um órgão com sede na Califórnia, EUA, e a lista RBL é adotada por diversos provedores ao redor do mundo. A partir do momento em que um provedor entra na RBL, os e–mails enviados pelos seus usuários são barrados em diversos endereços. No caso do iG significa 3,2 milhões de pessoas enviando mensagens sem saber se chegarão ao destinatário.
A notícia começou a se espalhar na sexta–feira, dia 20, quando a imprensa divulgou a validação do MAPS. Iniciou–se, então, a crise que levou ao cancelamento do site Antispam.
Quando ninguém acerta
Na segunda–feira do dia 23, Aleksander Mandic, vice–presidente de novos negócios do iG, admitiu à imprensa que o provedor enfrentava problemas relacionados ao spam e que a direção já havia tomado todas as providências.
Tais providências tratavam–se do iG Censo, uma medida que visa fechar o acesso anônimo dos usuários e conceder um login e senha para cada um, a partir de janeiro. Mandic admitiu que a pressa em lançar o acesso gratuito impediu que a autenticação fosse implantada desde o começo do funcionamento do acesso.
De acordo com Demi Getschko, vice–presidente de tecnologia do iG, o erro do provedor foi não ter respondido ao e–mail do MAPS, quando este já havia entrado em contato solicitando providências.
Ainda segundo Demi Getschko, o iG já entrou com um pedido ao MAPS e, em alguns dias, deverá estar fora da RBL.
O caso iG x Spam, de repente, transformou–se em iG x AntiSpam, o movimento que representa(va) o combate à propaganda não–solicitada no Brasil e tinha apoio da própria Fapesp, órgão regulador e gerenciador dos domínios dentro do país.
Demi Getschko também é membro do Comitê Gestor (CG) da Fapesp. Getschko solicitou o cancelamento do registro "antispam.org.br" depois de haver alegado que o site Antispam violara as normas regimentais da Fapesp. O Antispam possui um endereço para correspondência somente no exterior e não tem representação no Brasil – situação não permitida pela Fapesp.
O movimento Antispam admitiu o erro, porém não se pronunciou sobre os motivos ou causas. De acordo com as notícias veiculadas na imprensa, o movimento não irá recorrer da decisão da Fapesp de fechar o site.
Credibilidade
A "operação abafa" em um espaço de tempo tão curto não fez bem ao iG, à Fapesp e ao próprio Antispam, colocando em xeque a imparcialidade das instituições contra um movimento útil que beneficiava usuários e provedores de acesso.
O Antispam denuncia que o Comitê Gestor não é imparcial, a partir do momento em que tem como membro uma pessoa a ocupar alto cargo dentro de um provedor reconhecido, internacionalmente, como conivente à práticas malquistas na internet.
O pedido para inclusão do iG na RBL deu–se através de uma solicitação da RNP – Rede Nacional de Pesquisa – após seguidas reclamações e dados levantados pelo núcleo, pelo Antispam e por usuários, sobre o número excessivamente elevado de spam provenientes dos servidores do iG.
Em dezembro de 1999, o movimento Antispam também colocou a Embratel na berlinda, apresentando–a como conivente às práticas de spam pelos clientes. De acordo com o órgão, os provedores UOL e STI também já foram notificados no passado, mas rapidamente tomaram providências eficientes e reverteram o quadro.
Resta saber se o Antispam ficará fechado ou voltará ao ar. [web insider]
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