A TV de mil canais
16 de outubro de 2000, 0:00MPEG–7 e metadados vão organizar o imenso volume de informações.
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O MPEG–7, conhecido também como Multimedia Content Description Interface (Interface para Descrição de Conteúdos em MultimÃdia), é um padrão ou conjunto de padrões que deve servir para organizar o imenso volume de informações audiovisuais que a internet e a TV digital vão despejar através de milhares de canais.
Com adoção mundial prevista para janeiro de 2001, o MPEG–7 permitirá que cada imagem ou mesmo um fragmento de imagem contenha informações que possam ser indexadas e localizadas, usando–se um site de busca como o AltaVista.
O MPEG–7 está sendo desenvolvido pelo comitê de especialistas e empresas Moving Picture Experts Group, fundado em 1988. Os padrões MPEG–1 e MPEG–2 tornaram possÃvel o vÃdeo interativo em CD–ROM e a TV digital. O MPEG–4 é um padrão que está sendo usado para integrar todas as fases de produção em vÃdeo digital, incluindo distribuição e acesso a conteúdos, também essenciais para a TV digital.
O novo padrão é crÃtico para que o telespectador do futuro e todos os profissionais do setor possam se orientar no oceano de audiovisuais digitais que será o século XXI. O que se pretende com o MPEG–7 é que cada programa gerado em formato digital contenha uma ficha com informações detalhadas sobre cada cena da imagem, incluindo nomes e ficha técnica.
Esses dados, conhecidos como metadados, poderão ler lidos e interpretados por uma imensa variedade de softwares, facilitando sua identificação, estocagem e busca. Sem os metadados das informações digitais, será impossÃvel encontrar o que queremos no ciberespaço.
A indexação será pública
Porém, o surgimento desse padrão para os metadados contém outras implicações. A indexação do conteúdo e estrutura das imagens digitais, que estava somente nas mãos dos criadores dessas imagens, se tornará pública. Isso vai facilitar a manipulação de imagens em escala mundial, com a reutilização de conteúdos para criar novos produtos.
É claro que a questão dos direitos autorais sofrerá um enorme abalo com o MPEG–7. De modo geral, a expectativa é que esses problemas sejam compensados pelos enormes benefÃcios econômicos, educacionais e ergonômicos que as tecnologias de MPEG–7 vão proporcionar.
Pouca gente duvida que nos próximos dez anos a televisão deverá passar por transformações dramáticas no registro, produção, transmissão e consumo das imagens. A padronização dos metadados deverá ser uma das principais molas dessa evolução da TV. Sem os metadados, a TV continuará sendo a velha TV, por mais que mudem a fiação.
Segundo Chuck Fuller, fundador da Virage Inc, essa transformação da TV deve se completar até 2010. Até lá, todas as etapas de registro e produção da imagem da TV serão digitais. Fuller diz que a distribuição também será digital, um hÃbrido de ondas aéreas, cabo, satélite e internet.
Falando sobre metadados, Fuller explica que existem duas categorias: informações registradas automaticamente e dados anotados manualmente. As informações automáticas surgem a partir de vários algoritmos que analisam os elementos contidos na imagem, como storyboards, teletexto e legendas eletrônicas, reconhecimento de voz, reconhecimento de faces, reconhecimento óptico de caracteres, etc.
Já os dados anotados manualmente são informações de valor adicionado, incluÃdos por pessoas como parte do processo do produção, incluindo hyperlinks, descrições editoriais, palavras–chave, informações sobre direitos de imagem, informações sobre versões, etc.
A Virage já está produzindo softwares especÃficos para esse registro manual de informações digitais. O mais conhecido é o VideoLogger, que permite a anotação de um grande número de informações sobre um vÃdeo. Por exemplo, no caso de uma gravação digital de um documentário, o VideoLogger permite registrar detalhes que vão dos equipamentos usados à descrição detalhada de cada cena.
(Um diagrama do funcionamento do VideoLogger pode ser visto aqui; uma tela do software pode ser vista aqui).
Canais personalizados
Fuller diz que os metadados serão essenciais para a cadeia de produção de vÃdeo, da câmera ao consumidor. Essa tendência já está presente nas câmeras digitais e no desenvolvimento de sistemas de gerenciamento digital de imagens.
Fuller prevê ainda que a aquisição e pesquisa de dados codificados pelo padrão MPEG–7 serão feitos por agentes inteligentes, facilitando muito a vida dos profissionais e telespectadores do futuro. Esses agentes filtrariam os milhares de canais digitais de 2010 para gerar um número razoável de canais personalizados para cada usuário – uma tarefa que seria impossÃvel sem os metadados.
No futuro próximo, a extração de metadados vai ocorrer a partir das próprias lentes das câmeras digitais, que registrarão várias informações sobre o processo de captura da imagem ("takes", horários, informação de GPS e dados inseridos pelo operador de câmera). As câmeras do futuro deverão ser equipadas com softwares baseados em MPEG–7 para esses registros.
Outra grande vantagem dos metadados no futuro será facilitar a vida de produtores e jornalistas, porque os dados codificados em MPEG–7 facilitarão a criação de arquivos de acesso instantâneo pelos profissionais. Sem uma indexação cuidadosa dos metadados, as imagens se perderiam em petabytes de material arquivado. [web insider]
