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Na real: como será sua TV amanhã

26 de setembro de 2000, 0:00

Diretor da WebTV da Microsoft mostra como funciona a televisão interativa que está pronta para chegar ao público brasileiro via operadoras por assinatura.

Por Nenhum

Sergio Kulpas

Se a convergência digital dos aparelhos de mídia é anunciada há mais de uma década, os meios estão se materializando somente agora. Finalmente existe a tecnologia, o público e as economias de escala necessárias para a implementação. Como será esse futuro de curto prazo da televisão?

Até dezembro deste ano a plataforma da Microsoft deverá estar sendo testada por algumas empresas no Brasil, como a Globocabo. Ainda sem data prevista para a estréia em operações comerciais, a Microsoft está adequando seus diferentes sistemas às necessidades de cada operadora.

Conversamos com Renato Cotrim, diretor no Brasil da WebTV da Microsoft.

[web insider]: – Na sua opinião, vai haver mesmo a fusão da TV com PC e web? Ou isso é coisa para 2050?

Renato Cotrim: – Não vai haver fusão do PC com a TV no sentido do usuário ter um único equipamento que fará o papel do PC e da TV. O usuário continuará a utilizar o computador como ferramenta de trabalho, pesquisa e produtividade e o televisor como elemento de lazer e entretenimento.

O que acreditamos que ocorrerá em termos de convergência é utilizar uma mesma tecnologia para disponibilizar conteúdos em vários equipamentos diferentes. Por exemplo, acreditamos no uso do XML (eXtensible Markup Language) para publicação de conteúdo independente do device que acessará este conteúdo, seja ele um celular com microbrowser, um computador pessoal, um handheld PC, um televisor etc.

Porém as informações e dados que os usuários estão acessando em cada device ou equipamento serão diferentes. Pode–se prever que em celulares com microbrowsers o usuário vai procurar informações sensitivas ao tempo, como cotação de ações, ou serviços baseados em posicionamento (location based services), como trânsito, busca por estabelecimentos etc.

Já no computador ele vai buscar informações de trabalho e de pesquisa acadêmica, enquanto na televisão estará mais interessado em informações ligadas a lazer, entretenimento e formação de comunidades – como se comunicar com amigos, família e grupos de interesse.

– As pessoas vão realmente querer trocar o modelo do televisor, que é simples e direto, por um sistema que burocratize o acesso ao entretenimento, com mais comandos e mais funções?

– O serviço de televisão interativa da WebTV está operacional desde 1996 e uma das lições que aprendemos é que a experiência do usuário com o televisor deve ser imensamente mais simples do que a que temos hoje com o computador.

Através de testes de usabilidade na base de usuários WebTV, hoje com mais de 3 milhões de pessoas, aprendemos que é possível interagir com os programas de televisão ou navegar em sites de entretenimento utilizando somente o controle remoto. Sem a necessidade de mouses ou track–balls, que são de difícil uso para pessoas confortavelmente sentadas em suas poltronas e/ou que já tenham uma idade mais elevada.

– Quais são as características mais atraentes do modelo de WebTV da Microsoft? Quais são os problemas atuais?

– A característica mais atraente do serviço WebTV é a possibilidade dos telespectadores interagirem com os programas de televisão, o que é denominado de TV Interativa.

Nós não acreditamos que os usuários de televisão estejam interessados em um produto que seja internet–centric, ou seja, um produto que simplesmente leve a internet para a televisão. Nós acreditamos sim em um produto que seja TV–centric e que, como característica adicional, suporte acesso à internet.

Nos Estados Unidos temos mais de 500 horas de programação de televisão interativa semanal em vários canais, que vão desde notícias sobre o tempo (wheather channel) à programas de auditório (Jeopardy, Judge Judy), passando por canais de entretenimento (E! Network). Essa experiência diferenciada de assistir televisão, que deixa de ser totalmente passiva, tem se provado forte junto aos usuários.

– Como cobrar pelos novos serviços?

– Esses novos serviços podem ser usados como ferramentas geradoras de receita de forma direta e indireta. A televisão interativa permite que se incremente o comércio eletrônico via televisão, chamado na indústria de tCommerce, por exemplo.

Permite também o Internet Banking ou carga de smart cards remotamente. Permite que se fidelize a audiência através de pontuação em programas de auditório, permite a telemetria ou medição remota do consumo de eletricidade, gás ou água na casa do usuário, permite a inserção de banners de anunciantes em áreas premium como o guia eletrônico de programas (eletronic program guide), permite compra por impulso, permite voz sobre IP sem o uso de computadores, permite o home networking…

Enfim, há muitas formas de gerar receitas a partir destas novas tecnologias, sem que necessariamente o usuário esteja sendo cobrado de forma direta pelo serviço. [web insider]

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