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Vote em mim, clique em mim!

04 de setembro de 2000, 0:00

A propaganda dos políticos que polui as ruas nas eleições é parecida com certos sites tipo árvore de Natal. Se existisse, a taxa de click–through para banners de candidatos seria baixíssima também.

Por Nenhum

In Hsieh

O internauta que viu a capa da Folha de São Paulo do dia 26 deve ter tido uma sensação de "já vi isso em algum lugar". Não, ele não teve uma daquelas alucinações onde acha que passou por determinado lugar sem nunca ter estado lá de verdade. Apenas ligou a imagem de uma principais avenidas da cidade de São Paulo, a 23 de Maio, abarrotada de propaganda política, ao que vê cotidianamente na web.

Quem está na 23 (depois das horas de congestionamento que passamos juntos, já somos íntimos) nestes dias de eleição, não consegue olhar para nenhum lugar sem ver o nome de algum candidato a vereador ou prefeito (algumas vezes, ainda temos que agüentar também a cara feia de alguns deles).

O mesmo acontece com quem usa a web nos dias de hoje – não dá para navegar sem se deparar com algum banner, principalmente nos chamados portais (verticais, horizontais, especializados, genéricos, da sala, do banheiro, da cozinha, etc).

Fazendo novamente um paralelo entre a propaganda política e a online, assim como não consigo me lembrar do nome da grande maioria dos candidatos a vereador, não saberia dizer quais os últimos banners que vi no UOL. Aqueles posters horríveis pregados em uma seqüência de postes dá a sensação de que não acaba mais e provocam até enjôo.

Se pelo menos a foto de cada poster mostrasse uma posição um pouco diferente, poderíamos ter a sensação de movimento provocada pela passagem rápida de imagens estáticas (técnica usada em filmes e animações). As peças que acabam chamando mais a atenção são os grandes outdoors dos candidatos à prefeitura (normalmente, políticos já conhecidos) com algum slogan simples e eficiente.

Mas, pelo amor de Deus, publicitários online, isso não quer dizer que quanto maior, melhor (imagine um banner ocupando metade da tela – o internauta certamente não deixará de notar) ou que só funciona para nomes conhecidos (as start–ups estariam perdidas). Estou querendo dizer, usem a criatividade!!!

Passar a mensagem correta para o público desejado não é o mais difícil, basta um bom planejamento. Difícil é fazer o público lembrar–se depois do que foi dito. Não seja mais um candidato entre milhares, diferencie–se da multidão (é uma redundância, mas ninguém faz).

Primeiro, como os políticos, faça um corpo–a–corpo ou um relacionamento one–to–one com o seu público. Tente conhecê–lo bem para então oferecer exatamente o que quer. Mas, novamente, faça isso de forma diferente.

Vejam o caso do bordão "meu nome é Enéias". O Enéias virou uma figura folclórica das eleições brasileiras e conseguiu bom resultado nas últimas eleições presidenciais. Só não é eleito porque é feio demais. Já o então desconhecido Collor conquistou o eleitorado feminino que simplesmente o achou o mais bonito. Mas, juntamente, Collor trazia também o estigma da mudança, da renovação, do algo novo e fresco.

Bom, esse artigo parece um grito desesperado de um usuário que não quer mais ver um site piscando como uma árvore de Natal e, na verdade, é! Será que as baixíssimas taxas de click–through e ROI não estão sinalizando nada?

Em tempo: o TSE proibiu no dia 5 de julho toda e qualquer forma de veiculação de propaganda política paga através de banners. [web insider]

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