Revelações de um filme ruim
21 de agosto de 2000, 0:00Famoso caso de crime eletrônico da década de 90 chega ao cinema completamente deturpado, com cenas de má intenção explícita e falsificação de fatos históricos.
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Está nas locadoras uma dramatização de um dos mais famosos casos de crime eletrônico da década de 90. Com o título de “Caçada Virtual” em português, o filme foi dirigido por Joe Chappelle e tem Skeet Ulrich e Russel Wong no elenco.A história é minimamente inspirada no livro “Takedown” de Tsutomu Shimomura, que conta as peripécias do “cracker” Kevin Mitnick, condenado a prisão por invadir centenas de sistemas de computadores no começo da década de 90. Shimomura é um consultor de segurança empresarial que ajudou o FBI a capturar Mitnick em 1995.
Na imprensa americana, as reportagens sobre Mitnick eram sensacionalistas e mal informadas. Junto com Theodore Kaczynski , o Unabomber,Mitnick foi apresentado ao americano médio como grande ameaça à paz da América digital.
Repórteres preguiçosos e ignorantes deturparam (para sempre, temo) o venerável termo “hacker” como sinônimo de “criminoso eletrônico”. Matérias preconceituosas serviram para lançar suspeitas sobre qualquer um que use computadores e a internet de modo inteligente.
Mas o filme supera tudo isso em termos de mediocridade mal intencionada. Além de apresentar o FBI como um celeiro de bons moços dedicados ao bem estar social, a produção inventou um roteiro que faz o filme “The Net” (Sandra Bullock, deliciosa) parecer realista e verossímil como um documentário da BBC.
Shimomura aparece inventando um programa chamado “Contempt”, um super “icebreaker” capaz de invadir qualquer sistema de segurança digital. Para apimentar a “trama” do filme, Mitnick tenta furtar o “Contempt” para distribui?lo via internet. Enfim, só os dedicados agentes do FBI têm bom caráter nesse filmeco.
Esse “Takedown” faz lembrar a gritaria contra várias produções recentes de Hollywood. Críticos do mundo todo, inclusive dos Estados Unidos, estão chicoteando filmes como o milionário “O Patriota” (com Mel Gibson). Os críticos se assustaram com a xenofobia explícita, a descarada falsificação de fatos históricos e o ufanismo aflitivo dessa safra de filmes americanos.
Pode ser coincidência. Ou talvez esses filmes xenófobos e arrogantes sejam o eco de uma grave transição na mentalidade social dos EUA. É bem possível que os republicanos ocupem a Casa Branca no próximo ano. A indústria americana de entretenimento pode estar gerando esses produtos tendenciosos por encomenda. Deixo as especulações para os cientistas políticos.
Como nota final, como dar crédito a um filme sobre invasões feitas por telefones e modems, quando todos os números de telefone que aparecem na história têm o prefixo falso 555, usado apenas em filmes de Hollywood? [web insider]



1° Antonio Francisco de Souza Data: 22/05/2007 às 18:16
Atividade: Administrador de redes
Cidade: Quartel Geral
Não assiste nem consegui o livro…
Me endique um local seguro em que eu possa adquirir o livro e o filme…
Minha região tem escassez neste tipo de material…
Desde já eu agradeço…